Buscar

No Interior de Nós

Atualizado: 22 de Jun de 2019

Galeria a céu aberto


Acabo de acordar com uma ideia na cabeça. Meus olhos ainda guardam resquícios do sono dormido, e o sol lá fora urge como quem diz pra acordar, levantar, pois a vida não tarda.


Como primeiro post, vou tentando escrever para esta plataforma, agarrando-me à ideia de que as fotografias tem muito o que dizer. Elas por si desencadeiam uma série de coisas, seja por uma simples associação de ideias, seja pelo jogo que se estabelece na linguagem fotográfica.


Não carece de elas estarem juntas, pois o que conduz à leitura das imagens é a vivência do espectador, sua dor e alegria. É a relação entre quem as olha, com um olhar de dentro, o seu interior. Às vezes, precisamos fechar os olhos para ver, mergulhando em si.


Enquanto dormia e vacilava entre os estados de sono e de vigília, pensava comigo sobre o que divide o fato de o nome dessa série ser "NO INTERIOR DE NÓS". Seriam as imagens o meu processo fotográfico, que usa da etnografia como método afim de registrar algo? Ou o que eu trago dentro e fora, ou que carrego antes e depois desses contatos, seriam memórias, sonhos?



Escrever é um exercício prazeroso. Contar através das letras é um desafio; fotografar ainda é um desafio para mim, talvez aí esteja o meu encantamento.


Tenho pensado muito sobre o ato de fotografar: o corpo fotográfico em ação, posicionado e se relacionando com o assunto, com o mundo. O fotógrafo correndo riscos, aprendendo nos instantes, absorvendo um outro cotidiano, criando realidades, fazendo amizades, mesmo que elas durem só aquele momento.


Essas semanas que antecedem a ação nas ruas estão sendo de produção do material do site, dos lambes, das reuniões, do mapeamento das zonas que serão coladas; imagens, ideias soltas, ansiedades, segredos não revelados.


Ontem tive o prazer de conhecer a pessoa a qual fiz o convite para abrir essa conversa com a cidade. Ela, que guarda vivências de memórias e afetos de um sertão, de interiores, da vida em sua essência, e que relaciona arte e cidade em sua pesquisa e vida. Ela, que traz uma inquietante beleza de viver por reconhecer que a vida é uma inconstante.


Aqui deixo meu mais singelo apreço e agradecimento à Glória Diógenes por ter embarcado comigo nessa aventura.


E, por mais que possa parecer ousadia minha, sou grato aos encontros e às forças maiores que promovem essas possibilidades aqui e agora.



Viver é muito perigoso

"Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra." Guimarães Rosa




46 visualizações

Posts recentes

Ver tudo