O que levas do Interior no teu interior?

O sertão entranha a alma. Mesmo que se migre para nunca mais voltar, o Interior se refaz em mapas de reminiscências. Lá, a vida tem vizinhança. Portas abertas interditam a entrada para a solidão. Há estórias para contar.

 

De dentro, por dentro do que somos, nas paisagens interiores, lembranças de cheiros, comidas, matizes do sertão, dilatam conchas de afetos e refluem da imaginação. Do Interior nunca se esquece. As imagens persistem.

 

E como obra encantada se fazem ver aqui e acolá. O fotógrafo é o mediador de rios da memória. Observe. Retratos deslizarão nas enchentes de visões que cruzam multidões.  

Nessa confluência de memórias, dois mundos se misturam em um só, o dentro e o fora já não são antagônicos para inúmeras veredas. Nesses caminhos, é inefável reconhecer esse íntimo, por pertencer a algo maior, e há sempre uma fé em algo indizível, na beleza dos mistérios da vida.

As dez obras dessa série "NO INTERIOR DE NÓS" retratam um olhar, a observação, a relação entre fotógrafo e seu tempo-espaço.

Movê-las na cidade é o que instiga o fotógrafo, acreditando, este,   na possibilidade de dinamização de outros espectadores, no fito de que possam se relacionar com as imagens em uma "galeria aberta".

Rodrigo Patrocínio